sábado, 2 de julho de 2016

A inútil dureza da condição masculina

A inútil dureza da condição masculina
Jurandir Freire Costa
Eduardo Ferreira Agostinho tinha 19 anos. Segundo a imprensa, um mês antes de entrar para a Escola Naval, no Rio, seu pai lhe havia pedido que deixasse a Marinha. Eduardo respondeu: "Só saio da Marinha oficial ou morto". Saiu morto.
No dia 23/1/96 foi obrigado a fazer exercícios físicos excessivos sob um calor extenuante e morreu em conseqüência de um choque térmico. Sua temperatura chegou a 42ºC e a hipertemia provocou edema cerebral, coagulação intravascular, insuficiência respiratória e parada cardíaca. No dia em que morreu, já havia dado sinais de que não estava suportando os exercícios. Desmaiou, e o instrutor limitou-se a comentar: "Ele tem mais é que morrer. Um fraco não pode ficar entre a gente".
Guardemo-nos de ver a morte de Eduardo como coisas de caserna. A disciplina militar é, seguramente, severa e, muitas vezes, desmedida. Mas acidentes deste tipo também acontecem na vida civil e só ocorrem porque estão virtualmente inscritos na crença dominante de que assim "se faz um homem". Quartel, escola, casa, rua etc., pouco importa. O importante são os mecanismos de brutalidade constitutivos da identidade masculina.
Há muito, Robert Musil, em "O Jovem Tõrless", e Raul Pompéia, em "O Ateneu", descreveram como se fabrica um "verdadeiro macho" com direito a respeito, temor e bajulação dos cidadãos de primeira classe. Primeiro, pela força, ensina-se ao jovem como dominar fisicamente seu concorrente; segundo, à custa de humilhações, ensina-se como oprimir quem está embaixo e curvar-se perante os de cima.
A tática, retomando o achado de Peter Gay, é "o cultivo do ódio"; a estratégia, a domesticação da agressividade. Trata-se de suscitar o impulso agressivo do sujeito, de excitá-lo, de deixá-lo em estado de prontidão para, então, dirigi-lo em favor de quem manda. Como mostrou Stanley Kubrick, em "Nascido para Matar", o refrão, "Sir, yes, Sir", "Sir, no Sir", é o mandamento número um desta moral. Ser um homem é repetir o mandamento, até torná-lo uma resposta automática à voz do dono. Arrogância e servilismo são a dupla face da educação masculina em nossa cultura. Quem chega lá é "um vencedor"; quem não chega, vivo ou morto, é "um vencido".
É verdade, a violência masculina não é exclusiva de hoje. Dos rituais de iniciação, em sociedades etnológicas, aos elogios das guerras nas sociedades antigas e modernas, fizemos dos homens guardiões do "inferno" de onde cada "novo céu" extrai a energia para manter-se, como disse Nietzsche.
Mas entre a constatação do fato e sua aceitação o passo é grande. O que foi não tem necessariamente de continuar sendo. Alguns de nós, no passado, foram canibais, infanticidas, inquisidores e empaladores, sem que isso nos leve a admitir tais práticas como fundamento da cultura. A violência imposta aos homens, em sua educação, é, atualmente, ainda mais aberrante do que foi, pois nem sequer dispõe dos elementos que, outrora, tornaram sua justificação plausível.
As sociedades que legitimavam plausivelmente a violência dos homens regiam-se por códigos de honras nos quais, de fato, exigia-se dos guerreiros coragem e bravura. Um cavaleiro, um escudeiro e mesmo um duelista engajavam-se em disputas em que havia aposta e risco que podiam ser pagos com a vida. A ordem democrático-burguesa quis justamente evitar este gênero de heroísmo. Perdas de vida e derramamento de sangue, só em caso de proteção aos princípios democráticos.
O moderno heroísmo, o da justiça e da igualdade, dispensa mortes a granel. Como na antiga ''polis'', os melhores são os que podem vir a público opinar sobre o que é bom para todos. Além do mais, a esta versão ideal da ética democrática somou-se uma ideologia prática baseada na regulação burocrática dos privilégios e na ação orientada pelo cálculo do menor risco e do maior lucro, na qual palavras como honra, vergonha e glória não fazem o menor sentido. Portanto, do lado do oportunismo cínico como do lado do idealismo, a violência que acompanhava o ato de coragem individual, na acepção guerreira, não sabe mais como se justificar.
Dizer, como disse o instrutor, que Eduardo "tinha mais que morrer", pois era "um fraco", é um exemplo ilustrativo desta violência estúpida e anacrônica. O tal instrutor esqueceu-se de que era um soldado a serviço do país. Agiu como um burocrata, imaginando contar com a proteção da corporação a que pertence. Sua bravura é uma bravata, pois ele sabe que quem ousa desafiá-lo estará enfrentando uma instituição e não um indivíduo. A suposta coragem destes "heróis de carreira e carteirinha" resume-se ao gosto sádico de humilhar os subordinados, escorados num poder de intimidação que, como bons burocratas, não possuem, intermediam.
Neste caso como em outros, com ou sem farda, perde-se a noção de grandeza e nobreza que, mal ou bem, davam à morte dignidade e conserva-se da tradição a quintessência do pior, ou seja, a violência rotineira e sem razão de ser. É assim que continuamos reproduzindo nossos machos que, em casa, na rua ou nas casernas exibem a prepotência dos que só lutam sabendo de antemão que vão ganhar e que matam irresponsavelmente, porque sabem que não correm risco algum de morrer. Isto tem um nome: covardia.
A tragédia de Eduardo mostra o ferro e o fogo de onde sai a inútil dureza da condição masculina. Precisamos convencer-nos de que ser homem pode ser algo bem mais honrado e digno do que rosnar diante dos indefesos e sacudir a cauda diante de quem tem poder.

     [Jornal Folha de São Paulo, Caderno Mais!, domingo, 18 de fevereiro de 1996, p. 5-7]

terça-feira, 15 de março de 2016

Etimologia de "Aluno"

CASTELLO, Luis A.; MÁRSICO, Claudia T. Oculto nas palavras. Dicionário etimológico para ensinar e aprender. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

Na Seção “Quem estuda?”, há, além de 'aluno', diversos outros verbetes: Aluno; Adolescente; Discípulo; Criança, Infante; Pueril; Estudante; Educando; Colegial; Ouvinte; Menor; Aprendiz; Seminarista; Estagiário; Bacharel.

 Selecionei abaixo os seguintes trechos:

Aluno: "Em geral, chamamos ‘aluno’ ao sujeito que estuda no âmbito de uma instituição. O termo foi, curiosamente, objeto de uma explicação etimológica disparatada que o faz derivar de um suposto a, ‘não’ – remetendo a um alfa privativo próprio do grego – e lúmen, ‘luz’. Aluno seria ‘o que não possui luz’, ‘o que está no escuro’, e que, portanto, busca “iluminar-se” mediante o estudo. Essa explicação, decerto, não resiste à menor análise histórica ou linguística. Basta pensar que teria de se tratar de um composto híbrido que apresentaria uma raiz puramente latina, lúmen, unida a um prefixo privativo grego a-. A rigor, o termo ‘aluno’ está aparentado semanticamente ao verbo educar [cf. verbete abaixo]. Viu-se que uma das etimologias ligadas à ideia de educar se relaciona com ‘alimentar’. Não é de se estranhar, então, que aquele que recebe o alimento seja o ‘aluno’. Precisamente essa é a acepção do termo latino alumnus, que, assim como alimentum, está formado a partir da raiz al, encontrado no verbo alere, ‘alimentar’. Alumnus tem, pois, uma primeira acepção de ‘criança’, literalmente ‘o que é alimentado’, e outra derivada e abstrata que ganha o sentido de ‘discípulo’. [cf. verbete abaixo] (...)"

 Verbetes referidos no anterior, trechos selecionados:

Educar: "(...) o campo semântico de educare é, em parte, equivalente ao do grego tréphein, em cuja evolução, sempre que se tomeeducare como derivado de edo, também se observam significativas semelhanças. Tréphein é, em sua origem, ‘espessar’, e daí ‘coagular’, ‘coalhar’. Com esse sentido concreto subsiste ainda na época clássica sob o conceito genérico de ‘criar’, ‘nutrir’, desenvolvido a partir de ‘engordar’, ‘alimentar’. Foi assim que, por graduais translações de sentido, passou a significar plenamente ‘educar’, ainda que nunca viesse a ser o termo típico para referir-se ao que hoje entendemos por educar e permanecesse o mais ligado ao âmbito de criação de crianças. (...)"

 Discípulo: "Dissemos que alumnus, ‘aluno’, em sua segunda acepção, equivale a discipulus, ‘discípulo’. O último termo tem uma raiz certa e reconhecida no verbo discere que significa ‘aprender’. Assim, o ‘discípulo’ é ‘o que aprende’, ‘o aluno’, ‘o aprendiz’. Também se propôs a etimologia de discipulus como um composto de discere e da raiz que dá lugar em latim a puer, ‘criança’, e em grego a paîs, ‘criança’, e a polos, ‘filhote’, com o que se salientaria a relação entre a aprendizagem e a infância. (...)"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dicas para uma redação nota 1000 no Enem por Dad Squarisi (Correio Braziliense)

Dicas para uma redação nota 1000 no Enem
por Dad Squarisi (Correio Braziliense)

Leia o tema até entendê-lo. Não enrole. Rodeios, sem chegar ao núcleo, anulam a prova.

Planeje o texto: delimite o tema, trace o objetivo, organize as ideias do desenvolvimento.

Foque na dissertação: se você apresentar carta, poema, conto ou crônica, já era.

Use a norma culta: siga o dicionário e a gramática.

Redija. Comece pelo começo. Escolha uma frase bem atraente. Depois desenvolva a tese. Por fim, conclua com fecho sedutor.

Invista na impessoalidade. Escreva na 3a pessoa. O eu não tem vez.

Seja abrangente. Proponha intervenção social para resolver o problema. Convoque governo, família, Igreja, ONGs.

Mantenha a coesão: palavras, períodos, parágrafos formam um time, não um monte de jogadores soltos.

Seja natural. Você escreve para pessoas - gente igualzinha a nós.

Revise. Leia o texto devagarinho. Os argumentos convencem? Fisgaram o leitor? Deixaram excelente impressão? Não há palavras repetidas? Vírgulas, concordância, regência, flexão de nomes e verbos merecem nota 10? Oba!

Correio Braziliense, 15/01/2015

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Nietzsche e o conhecimento

Dois aforismos 

*** Gaia Ciência, § 333 ***
 O que significa conhecer. – Non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere! [Não rir, não lamentar nem detestar, mas compreender!] disse Spinoza, da maneira simples e sublime que é sua. No entanto, o que é intelligere, em última instância, senão a forma na qual justamente aquelas três coisas tornam-se de uma vez sensíveis para nós? Um resultado dos diferentes e contraditórios impulsos de querer zombar, lamentar, maldizer? Antes que seja possível um conhecer, cada um desses impulsos tem de apresentar sua visão unilateral da coisa ou evento; depois vem o combate entre essas unilateralidades, dele surgindo aqui e ali um meio-termo, uma tranquilização, uma justificação para os três lados, uma espécie de justiça e de contrato: pois é devido à justiça e ao contrato que esses três impulsos podem se afirmar na existência e conservar mutuamente a sua razão. A nós nos chega à consciência apenas as últimas cenas de conciliação e ajuste de contas desse longo processo, e por isso achamos que intelligere é algo conciliatório, justo, bom, essencialmente contrário aos impulsos; enquanto é apenas uma certa relação dos impulsos entre si. Por longo período o pensamento consciente foi tido como o pensamento em absoluto: apenas agora começa a raiar para nós a verdade de que a atividade de nosso espírito ocorre, em sua maior parte, de maneira inconsciente e não sentida por nós; mas eu penso que tais impulsos que lutam entre si sabem muito bem fazer-se sentidos e fazer mal uns aos outros: – a violenta e súbita exaustão que atinge todos os pensadores talvez tenha aí a sua origem (é a exaustão do campo de batalha). Sim, pode haver no nosso interior em luta muito heroísmo oculto, mas certamente nada de divino, nada repousando eternamente em si, com queria Spinoza. O pensar consciente, em particular o do filósofo, é a espécie menos vigorosa de pensamento e, por isso, também aquela relativamente mais suave e tranquila: daí que justamente o filósofo pode se enganar mais facilmente sobre a natureza do conhecer.

*** Gaia Ciência. § 344 ***
 Em que medida também nós ainda somos devotos – Na ciência as convicções não têm direito de cidadania, é o que se diz com boas razões: apenas quando elas decidem rebaixar-se à modéstia de uma hipótese, de um ponto de vista experimental e provisório, de uma ficção reguladora, pode lhes ser concedida a entrada e até mesmo um certo valor no reino do conhecimento – embora ainda com a restrição de que permaneçam sob vigilância policial, a vigilância da suspeita. – Mas isso não quer dizer, examinando mais precisamente, que a convicção pode obter admissão na ciência apenas quando deixa de ser convicção? A disciplina do espírito científico não começa quando ele não mais se permite convicções? ... É assim, provavelmente; resta apenas perguntar se, para que possa começar tal disciplina, não é preciso haver já uma convicção, e aliás tão imperiosa e absoluta, que sacrifica a si mesma todas as demais convicções. Vê-se que também a ciência repousa numa crença, que não existe ciência “sem pressupostos”. A questão de a verdade ser ou não necessária tem de ser antes respondida afirmativamente, e a tal ponto que a resposta exprime a crença, o princípio, a convicção de que “nada é mais necessário do que a verdade, e em relação a ela tudo o mais é de valor secundário”. – Esta absoluta vontade de verdade: o que será ela? Será a verdade de não se deixar enganar? Será a vontade de não enganar? Pois também desta maneira se pode interpretar a vontade de verdade; desde que na generalização “Não quero enganar” também se inclua o caso particular “Não quero enganar a mim mesmo”. Mas por que não enganar? E por que não se deixar enganar? – Note-se que as razões para o primeiro caso se acham numa esfera inteiramente diversa das do segundo: a pessoa não quer se deixar enganar supondo que é prejudicial, perigoso, funesto deixar-se enganar – neste sentido a ciência seria uma prolongada esperteza, uma precaução, uma utilidade, à qual poderia, com justiça, objetar: Como? Não querer deixar-se enganar é de fato menos prejudicial, perigoso, funesto? Que sabem vocês de antemão sobre o caráter da existência, para poder decidir se a vantagem maior está do lado de quem desconfia ou de quem confia incondicionalmente? E se as duas coisas forem necessárias, muita confiança e muita desconfiança: de onde poderá a ciência retirar a sua crença incondicional, a convicção na qual repousa, de que a verdade é mais importante que qualquer outra coisa, também que qualquer convicção? Justamente esta convicção não poderia surgir, se a verdade e a inverdade continuamente se mostrassem úteis: como é o caso. Portanto – a crença na ciência, que inegavelmente existe, não pode ter se originado de semelhante cálculo de utilidade, mas sim apesar de continuamente lhe ser demonstrado o caráter inútil e perigoso da “vontade de verdade”, da “verdade a todo custo”. “A todo custo”: oh, nós compreendemos isso muito bem, depois que ofertamos e abatemos uma crença após a outra nesse altar! – Por conseguinte, “vontade de verdade” não significa “Não quero me deixar enganar”, mas – não há alternativa – “Não quero enganar, nem sequer a mim mesmo”: – e com isso estamos no terreno da moral. Pois perguntemo-nos cuidadosamente: “Por que você não quer enganar?”, sobretudo quando parecesse – e parece! – que a vida é composta de aparência, quero dizer, de erro, embuste, simulação, cegamento, autocegamento, e quando a forma grande da vida, por outro lado, sempre se mostrou realmente do lado dos mais inescrupulosos polýtropoi [homens de muitos expedientes]. Um tal desígnio talvez fosse, interpretando-o de modo gentil, um quixotismo, um ligeiro e exaltado desvario; mas também poderia ser algo pior, isto é, um princípio destruidor, inimigo da vida... “Vontade de verdade” – poderia ser uma oculta vontade de morte. – Assim, a questão: “Por que ciência?”, leva de volta ao problema moral: para que moral, quando vida, natureza e história são ‘imorais’? Não há dúvida, o homem veraz, no ousado e derradeiro sentido que a fé na ciência pressupõe, afirma um outro mundo que não o da vida, da natureza e da história; e, na medida em que afirma esse “outro mundo” – não precisa então negar a sua contrapartida, este mundo, nosso mundo?... Mas já terão compreendido onde quero chegar, isto é, que a nossa fé na ciência repousa ainda numa crença metafísica – que também nós, que hoje buscamos o conhecimento, nós, ateus e antimetafísicos,ainda tiramos nossa flama daquele fogo que uma fé milenar acendeu, aquela crença cristã, que era também de Platão, de que Deus é a verdade, de que a verdade é divina... Mas como, se precisamente isto se torna cada vez menos digno de crédito, se nada mais se revela divino, com a possível exceção do erro, da cegueira, da mentira – se o próprio Deus se revela como a nossa mais longa mentira?

sábado, 8 de dezembro de 2012

para deslocar o pensamento

Frases e filosofia para uso dos jovens – por Oscar Wilde (1894)

* O primeiro dever na vida é ser tão artificial quanto possível. Qual seja o segundo dever, ninguém ainda o descobriu.
* Perversão é um mito inventado pelas pessoas de bem para explicar a curiosa atração dos outros.
* Se os pobres tivessem apenas perspectivas não haveria dificuldade em resolver o problema da pobreza.
* Aqueles que não veem nenhuma diferença entre alma e corpo não possuem nem um nem outra.
* Uma lapela realmente bem florida é o único elo entre a Arte e a Natureza.
* Os bem-educados contradizem os outros. Os sábios contradizem a si mesmos.
* Nada do que ocorre no momento tem a menor importância.
* A estupidez é a maioridade da seriedade.
* Em todos os assuntos sem importância o estilo, e não a sinceridade, é o essencial. Em todos os assuntos importantes, o estilo, e não a sinceridade, é o essencial.
* Se alguém diz a verdade, pode estar certo de que, mais cedo ou mais tarde, será descoberto.
* O prazer é a única coisa para que se deveria viver. Nada envelhece tanto como a felicidade.
* Somente não pagando nossas contas é que podemos esperar viver na memória das classes comerciais.
* Nenhum crime é vulgar, mas toda vulgaridade é crime. A vulgaridade é a conduta dos outros.
* Somente os superficiais se conhecem a si mesmos.
* Tempo é perda de dinheiro.
* A gente deveria ser sempre um pouco improvável.
* Há uma fatalidade em todas as boas resoluções. Tomam-se invariavelmente demasiado cedo.
* O único meio de reparar o estar ocasionalmente bem trajado demais é mostrar-se sempre e de modo absoluto bem-educado demais.
* Ser precoce é ser perfeito.
* Qualquer preocupação com ideias a respeito do que é direito ou errado em conduta mostra um desenvolvimento intelectual estacionado.
* A ambição é o derradeiro refúgio da falência.
* Uma verdade deixa de ser verdade, quando mais de uma pessoa acredita nela.
* Nos exames os tolos fazem perguntas que os sábios não sabem responder.
* Em sua essência, o traje grego não era artístico. Nada deveria revelar o corpo senão o corpo.
* A gente deveria ser, ou uma obra de arte, ou usar uma obra de arte.
* Só as qualidades superficiais são duradouras. A mais profunda natureza humana é logo descoberta.
* A indústria é a fonte de toda feiura.
* Somente os deuses provam o gosto da morte. Apolo desapareceu, mas Jacinto, que os homens dizem que ele matou, vive. Nero e Narciso estão sempre conosco.
* Os velhos acreditam em tudo; os homens de meia-idade suspeitam de tudo; os jovens conhecem tudo.
* A ociosidade é a condição da perfeição; o objetivo da perfeição é a mocidade. Somente os grandes mestres do estilo conseguiram ser obscuros.
* Há algo de trágico no enorme número de jovens existentes atualmente na Inglaterra, que começam a vida com perfeitas perspectivas e acabam adotando alguma profissão útil.
* Amar a si mesmo é o começo de um idílio que dura a vida inteira.